Vida UrbanaPOR PONTO URBANOPUBLICADO EM 12/04/2018

Palco Paulista

A partir de maio, o número 1842 da Avenida Paulista será endereço da quarta unidade Ponto Urbano, e vamos trazer aqui no blog postagens sobre um dos lugares mais famosos de São Paulo, e talvez um dos mais interessantes espaços urbanos do mundo.

Quem caminha pela Paulista, para os íntimos, nunca fica indiferente. Mesmo os que trabalham nela ou em algum dos milhares de prédios comerciais em seus arredores e andam por lá todos os dias são surpreendidos por algo novo, inusitado: uma intervenção cultural, manifestações ou, em várias ocasiões, música. Música feita por todo tipo de artista, renomados ou não, produtores independentes que expressam sua paixão em samba, MPB, rap, rock, no tradicional chorinho. Gente que muda a vida de quem passa e traz beleza, mesmo nos dias mais cinzas da Terra da Garoa.

E se você estará conosco no mais novo espaço de coworking da Ponto Urbano, na Avenida Paulista, provavelmente terá esta experiência para contar. Nós ouvimos o outro lado: como é, para um músico, apresentar-se no maior palco aberto do Brasil?

Tocar na rua nunca é fácil. Desde a estrutura que temos que praticamente inventar, falta de segurança, até a recepção do público que muitas vezes não é boa. Existe sim uma galera que aprecia e para pra te ouvir, porém a grande maioria acha que estamos ali passando fome e passam apenas pra jogar uma moedinha como forma de esmola. Uma situação que me marcou muito foi que, certa vez, tocando, passou uma mãe com uma criança que aparentava uns 7 anos. A criança fez a mãe, mesmo na correria, parar e ouvir. Ao me atentar para isso, percebi que a música que tocava tinha alguma relevância para a mãe, pois logo vi que as lágrimas a tomaram. No final da música, essa mãe veio em minha direção com sua criança e me deu um abraço seguido de um muito obrigado. E verdadeiramente ganhei o dia ao ouvir aquilo. Creio que seja este o papel da arte em qualquer circunstância: trazer sentimento, alegria, amor, paz, felicidade e reflexão às pessoas, independente de que tipo ela seja, música, dança, teatro, pintura etc. E o que o que mais falta para, nós, artistas, é um verdadeiro incentivo de forma geral. A começar pela inserção de forma real da arte nas escolas, assim como o barateamento dos instrumentos e equipamentos que nós tanto precisamos. Uma pena saber que a tão aclamada lei de incentivo só favorece os já famosos e milionários da indústria”.

Bruno Freitas, professor de música e produtor, músico profissional há 20 anos.
Instagram:  @eufreitasbruno

 

Realizar apresentações na Paulista nos dá a possibilidade de conquistar um público maior e mais diversificado do que numa casa de shows, que tem frequentadores fixos. Acredito também que o envolvimento do público seja mais genuíno, uma vez que os passantes podem ou não se interessar no que está acontecendo e depende exclusivamente deles assistir ou não a apresentação. Esse público costuma se engajar mais com a banda, acompanhando outras apresentações, consumindo merchandising, acompanhando as mídias sociais e por aí vai. Outro ponto valoroso é oferecer acesso à arte e cultura às pessoas de maneira gratuita e plural. Numa apresentação na rua, o público varia por todos os perfis sociais. Também por isso, a rua é uma caixinha de surpresas. Já passamos por problemas com moradores incomodados com a música. Certa vez, um morador de rua roubou parte das doações depositadas no case, eu larguei a guitarra e sai correndo atrás do cara, mas sem sucesso. Já presenciamos pedidos de casamento, vendemos merchandising enquanto tocávamos, fazendo o solo com a mão esquerda e dando o troco com a direita. Uma coisa muito inusitada que aconteceu na nossa rodada de shows de março foi uma jam com um guitarrista que se apresenta na Avenida Paulista também. Ele pediu pra tocar, montou seu equipamento enquanto fazíamos mais uma música do nosso set. Quando ele se aprontou, tocamos alguns blues juntos e depois dessa participação, o show continuou como planejado. Onde isso poderia acontecer dessa maneira, se não na rua?! Acredito que a arte e a cultura tem um grande poder de transformação na sociedade e levar essa experiência a uma região tão intensa da cidade é muito interessante, tanto pela questão do acesso, como citado anteriormente, como pela experiência de imersão, em que o público pode, por um determinado tempo, espairecer e se distanciar de seus problemas cotidianos. É muito legal sentir a descontração de um show de Rock naquelas pessoas que chegam sérias, meio sisudas, que não sabemos ao certo se estão gostando ou não, mas que, em determinado momento, estão sorrindo, balançando ao ritmo da música. Quando vemos isso, temos certeza de que melhoramos o dia de alguém. Muitas pessoas questionam a política de fomento da Prefeitura de SP, que diminuiu em 50% as verbas para arte nesta gestão, basta lembrar da última Virada Cultural para saber o que essa redução significou. Mas, para mim, o grande ponto é: como engajar o público? Não adianta o artista tocar nas Casas de Cultura, Centros Culturais, CEUs, e por aí vai, se as pessoas não comparecem mesmo com a gratuidade das apresentações. O fomento público à arte, em tese, faz a função de remunerar o artista e oferecer arte gratuita ao público. Mas que público? Onde ele está? Por que ele não comparece? Pensando nisso, acredito que, na verdade, o principal foco do trabalho de espalhar arte e cultura seja, na verdade, engajar as pessoas, para que toda a arte produzida seja consumida, independente do formato da apresentação. Seja uma apresentação com fomento público, numa casa de shows que cobre entrada, na rua, através das mídias sociais, plataformas de streaming, vídeo e etc. Como fazer isso? Se você descobrir um caminho eficiente, me conte (risos)”!

Guilherme Spilack, músico, produtor e fundador/guitarrista no trio de música instrumental StringBreaker and the StuffBreakers, ao lado de Dilson Siud (contrabaixo) e Sérgio Ciccone (Bateria).

 

Ficou com mais vontade ainda de se inspirar na avenida Paulista, queridinha de São Paulo? Conheça os planos da Ponto Urbano e trabalhe nesta e em todas as nossas unidades. Esperamos você!