Vida UrbanaPOR PONTO URBANOPUBLICADO EM 23/11/2017

O consumo colaborativo e o seu planeta

O consumo colaborativo é a nova forma de utilização de bens de consumo sem a necessidade de adquirir algo. Ou seja, possibilita ter acesso a coisas que já foram ou ainda são de outras pessoas sem precisar investir uma grande quantia de dinheiro. Este comportamento tem tudo a ver com a atual organização da sociedade na qual vivemos, que busca cada vez mais formas de compartilhar e dividir, sem necessariamente ter algo próprio. Desde o uso de espaços de coworking até bikes compartilhadas, esse comportamento tem se tornado cada vez mais comum, e tem contribuído para o equilíbrio do meio ambiente.


Esta forma de consumir é tendência no todo mundo e há anos faz parte do cotidiano de muitas pessoas na Europa e Estados Unidos. Recentemente, esse modelo vem ganhando força também no Brasil, principalmente com o aumento da crise econômica, que provocou uma grande redução no poder de compra de famílias e principalmente dos jovens, que adotam  esse tipo de prática como um uma oportunidade de economia.


Além de ser bem mais econômica; compartilhar produtos, serviços e experiências também é uma forma mais responsável de consumir, pois uma vez que se reduz o consumo de determinado produto, diminui a demanda por sua fabricação, e consequentemente há redução de danos e outros tipos de impactos ao meio ambiente. Aliás, tem tudo a ver com uma geração que deseja viver mais e ter menos,  que valoriza muito a experiência vivida em um determinado momento ao invés de adquirir algo. Esse consumo sustentável, é uma nova forma de pensar no futuro, garantindo o uso responsável dos recursos naturais e econômicos e que também vem causando profundas transformações nas pessoas e na forma como elas se relacionam com produtos e serviços.


Onde encontrar formas de consumo colaborativo

Talvez nem tenha percebido, mas você possivelmente já fez o uso de algo dentro do conceito de consumo colaborativo. Ao alugar um carro ao invés de comprar, utilizar aplicativos de carona, passar as férias alugando a casa de praia de um conhecido,  ou até da forma mais tradicional possível, fazendo locação de traje de festa ou comprando roupas em brechós; e quem sabe talvez optando por utilizar um escritório compartilhado, ao invés de adquirir ou locar um imóvel comercial.


Os escritórios compartilhados são um ótimo exemplo do consumo sustentável voltado para o mercado de trabalho, já que possibilitam que diversas pessoas dividam o mesmo espaço, com o compartilhamento de recursos essenciais como energia elétrica e água até o mobiliário, além  de todos materiais utilizados para que a área de trabalho seja agradável. Não existem espaços subutilizados, pois vários tipos de empresa podem utilizam a mesma mesa de trabalho, em momentos diferentes. Enquanto num modelo tradicional, uma única empresa acaba investindo no imóvel, em reformas, e na compra de uma quantidade grande de mobiliário que, em momentos de oscilação de demandas,  muitas vezes pode ficar ocioso.


Especialistas em economia acreditam que este comportamento veio para ficar. Espera-se que este compartilhamento seja cada vez mais comum, principalmente com as novas gerações ficando cada vez mais conectadas, vivendo diariamente o conceito de rede na internet e crescendo de forma mais consciente com relação à ecologia e os cuidados com as comunidades ao redor. A internet acaba sendo um excelente meio, pois possibilita encontrar mais facilmente esses produtos, gerando maior conexão entre os usuários e interessados em compartilhar qualquer tipo de serviço.


Quem ganha com o consumo colaborativo

O consumo colaborativo é vantajoso para toda a sociedade. Empresários e profissionais podem reduzir custos fixos e investimentos que fariam ao criar um negócio de forma tradicional, optando por utilizar serviços compartilhados. Menos custos e menos investimentos podem levar a maior lucratividade.


Os consumidores também ganham, já que serão capazes de conquistar as mesmas experiências que antes só poderiam ser vividas por quem tivesse alto poder aquisitivo. Imagine poder dirigir um carro de luxo ou passar dias em um apartamento de frente para a Torre Eiffel em Paris.


Por outro lado são necessárias mudanças profundas no modelo  econômico baseado no consumo, até na forma de produção industrial, que deverá levar em consideração que qualquer produto precisará sobreviver a tantos donos e compartilhamentos.


O meio ambiente agradece.