Cases de ClientesPOR PONTO URBANOPUBLICADO EM 22/09/2017

Degrave Arquitetura & Interiores

Conheça o trabalho de Bruno Degrave e sua paixão pela arquitetura

Assim como muitos profissionais autônomos, os arquitetos precisam conciliar seu tempo entre atender seus clientes, realizar as medições nos ambientes, buscar itens decorativos e projetar plantas e espaços. Nos escritórios de arquitetura, é bastante comum haver mais de um profissional associado, pois caso contrário, o trabalho de campo acaba não justificando a manutenção de uma estrutura dedicada.

Acostumados ao modelo de home office, os arquitetos são um público que muito se beneficia do coworking, pois isso os insere em uma comunidade maior e melhoram seu networking e a possibilidade de indicação, como já falamos neste post. Outra vantagem é a separação entre o ambiente pessoal do profissional, que pode trazer ganhos qualitativos de produtividade bastante relevantes.

Na unidade Ponto Urbano Higienópolis, Bruno Degrave encontrou o local que procurava para estabelecer seu escritório, que desenvolve uma arquitetura de interiores em escalas variadas, comprometida sempre em proporcionar espaços harmoniosos, cujos encaixes e acabamentos transmitem o cuidado que ele tem até o último detalhe perante clientes e fornecedores. Confira a entrevista!

PU: Qual é a relação que você faz entre a tecnologia e as mudanças no ambiente de trabalho de um arquiteto?

Bruno: Arquitetura é uma atividade bastante instrumentalizada e a informática da última década conferiu um dinamismo inédito à prática, capacitando o processamento de maior volume de informações simultaneamente. As ferramentas digitais e os softwares colaborativos transformaram sem volta o dia a dia do arquiteto tanto no âmbito físico como nas relações de trabalho. O profissional pode, ao longo desta última década, desligar-se fisicamente do escritório para encontrar seu ferramental disponível onde quer que ele fosse requisitado. Desde o atendimento ao cliente ou fornecedor; até o detalhamento das minúcias de projeto, o grau de portabilidade do qual dispomos hoje é assustador. Nosso acervo está nas nuvens e os equipamentos portáteis tem uma capacidade de processamento sem comprometimentos. Neste contexto, o ambiente físico de trabalho passou a ser considerado sob outra lógica de performance, distinta do que acontecia não muito tempo atrás.

PU: Por que o coworking se torna, então, uma opção viável?

Bruno: A meu ver, o ambiente de trabalho de hoje é chamado a atender ao homem de maneira que transborda o simples utilitarismo. Requer compreende-lo de maneira holística para poder contribuir melhor às mudanças que se apresentam em múltiplas realidades. Nos escritórios, por exemplo, o simples ato de abrigar - funcionários, acervos, clientes ou reuniões se transformou e, com ele, também suas contrapartidas físicas, econômicas e logísticas. Isto quer dizer que “pensar” o escritório hoje em dia é realmente “pensar fora da caixa”. As possibilidades da tecnologia digital não chegam a eliminar nenhuma das atividades mencionadas, mas deram um grau de liberdade sem precedentes para experimentar outros arranjos no modo operante. “Se não é mais necessário fazer a reunião em tal endereço, onde seria melhor para cliente e prestador? Se eu não preciso mais me deslocar até o escritório para conferir tal documento, qual atividade é mais vantajosa realizar agora à tarde? Se eu não tenho mais que imobilizar recursos para dispor de objetos, de acervos, gavetas e armários; o que eu preciso aprender para melhorar minha produtividade? Se eu uso minha impressora apenas 2 vezes por mês, porque não diluir seu custo com mais pessoas, mais vezes?” Todos estes exemplos estão implícitos no formato de escritório compartilhado. Acredito que as pessoas que encontro na Ponto Urbano percebem isto de forma muito viva no seu quotidiano.

PU: E quais os pontos negativos deste novo formato de trabalho?

Bruno: Existe uma ambivalência presente nestas transformações, porque elas são muito profundas. De um lado, elas ampliaram o leque de possibilidades, permitindo às pessoas se conectarem numa plataforma de trocas intensas. De outro elas não deixam de representar um elemento de segregação, caso a formação do indivíduo não seja condizente aos novos ritmos e linguagens. Vale dizer: o mesmo dinamismo que “conecta”, pode também “descartar”. Um belo mote para gestar todo tipo de angustias no meio da noite (risos). Situar-se neste contexto onde tudo muda o tempo todo e ainda dar conta de atualizar-se, fugindo à obsolescência, equipara-se a uma montanha-russa, com mergulhos e frios na barriga. Mas ao fim, pode ser também divertido. Não raro, confundimos sintomas e causas, simplesmente porque algumas métricas perderam seu contexto. Momentaneamente, não conseguimos afirmar nem “mellhor” nem “pior”. E, por estarmos justamente tateando o desconhecido, o assunto ganha facilmente um tom meio especulativo - quando não despenca em saudosismo e sentimentalismos. Pessoalmente, acho que precisamos de tempo e o exercício da abstração, neste momento, é válido e pertinente. Enxergar um eixo filosófico, essencialmente qualitativo, para depois voltar às especificidades do dia a dia. 

PU: Quais desafios você acha que essas transformações vão trazer para os arquitetos e outros profissionais, daqui para frente?

Bruno: Vamos pensar os citados desafios no campo dos avanços tecnológicos, produtivos, físicos; não sem uma certa licença poética. Vamos abstrair e considerar que eles continuem a liberar a humanidade de uma série de processos manuais até a perspectiva de, no“limite”, o homem mesmo se tornar prescindível a uma ampla gama de atividades produtivas. Neste ponto específico, algo extraordinário se desdobra diante de nós. Defrontaremos a questão de sermos dispensáveis, de perdermos significância para um determinado fim. Segundo Elon Musk, isto existe latente no processo de desenvolvimento do veículo autônomo, por exemplo. O transporte emprega 12% da população economicamente ativa no mundo, ele prevê 20 anos para substituir a frota atual pela autônoma, gerando uma ruptura significativa na curva de oferta de trabalho. Como realocar essa gente, neste tempo? Os volumes, portanto, destas mudanças desdobram-se curiosamente dentro de escalas sistêmicas. Poderia a tecnologia sobrepor-se ao próprio homem dentro de uma determinada escala de valores? Embora falaciosa, essa percepção serve como um exercício de lógica elementar. Não deveríamos nos perder diante deste tipo questionamentos, posto que a técnica foi desenvolvida para nos servir. O questionamento, portanto, é mais profundo. A resposta precisa comprometer-se com valores, e, assim, pode ser mais otimista do que tudo isto soa. Muito em breve, seremos obrigados a compreender o valor do homem em si mesmo sob uma perspectiva renovadora de tudo o que foi vivido até então. A dimensão do humano sobrepõe-se à atividade produtiva. Isto, no entanto, é algo que ainda não sabemos pensar. Curiosamente, temos muito pouco repertório de como expressar amor, compaixão, perdão; como cultivar, nutrir e cuidar das riquezas humanas; como compartilhar, multiplicar e semear realidades abundantes. É um repertório pouco treinado, pouco compreendido, pouco disseminado e quase não aplicado na maioria dos nossos contextos diários. A boa notícia é que já começamos a soletrar as primeiras palavras.

PU: Mas há realmente espaço para otimismo diante da miríade de conflitos noticiados diariamente nos jornais?

Bruno: Depende de como você interpreta o vetor que há implícito nos fatos, e não necessariamente o fato em si. Vivemos uma mudança de sentido - lato senso. Talvez as muitas convulsões vividas na economia, política e nas sociedades, em todas as partes do globo, representem uma espécie de catarse. Arrisco dizer que a forma que as interações humanas desencadeiam-se, não seja simples fenômeno de “colisões de partículas”, mas antes, denota um exercício reflexivo. Existe, inerente, ganho de consciência para a humanidade. Em outras palavras, há uma nítida distinção entre passado e futuro. De maneira muito pessoal, penso que, uma hora, será irresistível ter que reconhecermos a nós mesmos, perante nós mesmos. O pessimismo não é viável, porque a hipótese de descartar o ser humano - sendo nós, inexoravelmente, humanos; de tentar “eliminá-lo da equação” - dentro das muitas imagens que a metáfora permite, seria algo como tentar levantar-se puxando os próprios cabelo. Simplesmente, não consta dentro do nosso roll de opções. Abrir mão dessa idéia de querer “se livrar do homem” é fundamental. Mas não é tão fácil… 

PU: Tudo isto que você argumenta é um tanto abstrato, não? Você conseguiria trazer isso para um campo mais palpável? 

Bruno: Sim, sim. Esse tipo de conversa existencialista não dá pra puxar num café das 16h… No entanto, contemplar esses contrastes e tentar dizer o indizível não deixa de ser divertido, né? O lado prático deste tipo de conversa não está em afirmar algo conclusivo, mas aproveitar a presença do próximo para descobrirmos a nós mesmos. Tentar enxergar o jantar em família, a fila do supermercado, as conversas fragmentadas nos grupos sociais, os encontros no ambiente de trabalho com uma luz mais penetrante. Faz alguma diferença para nossas almas indagarmos “O que há de valor no outro? Em mim?”. Seja lá o que você experimentar, a resposta só poderá ser vivenciada no encontro. Compartilhar, perdoar, servir, amar… Nenhuma destas experiências poderia ser adquirida no vácuo.

Este é um momento muito interessante da nossa história. Estamos inegavelmente, intensificando as trocas, mesclando os usos, diversificando os recursos fisicos, espraiando os conhecimentos. De um lado, estamos expostos a uma série de movimentos expansivos, dispersantes e centrífugos. Basta contemplar a desmaterialização de instituições; a descentralização de economias, a fragmentação da nós mesmos em ambientes virtuais e simultâneos; a mudança do ‘possuir’ pelo ‘acessar’; a eclosão da inteligência artificial; o surgimento do Blockchain, um protocolo capaz de garantir descentralização, transparência e segurança para troca de valores em rede; a publicação da vida pessoal das pessoas numa escala planetária. Todos estes exemplos constituem mudanças tão significativa que representam praticamente, uma alteração de estado. Não são pontos no gráfico, ou soluços. É como se, a partir deles, a realidade humana fosse transferida para patamares distintos; explodindo o velho, revogando hábitos antigos e reconstruindo o novo a partir dos mesmos elementos que restarem esparramados por todo o lugar. Como um ciclone que materializa o nada a partir de si mesmo, e no caminho, arranca tudo do lugar. Por outro lado, há também o movimento contrário. Um efeito centrípeto a todos estes exemplos. Enxergamos com certa clareza uma reação de introspecção profunda que experimentamos quase que numa espécie de Zeitgeist, mundo afora. Uma fase de questionamentos e de mergulho em si. Diante de todos estes processos, acho que aquilo que tem valor não é a alternância de estados, nem o movimento ou as mudanças que dele brotam, mas sim o que todas estas manifestações revelam de Real, de verdadeiro e de Imutável diante de nós. Algo como “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”.

Sobre a Degrave Arquitetura & Interiores

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Endereço: R. Sergipe, 475, conj 401.

Telefone: (11) 99376-2089